Mestrado na USP
Práticas educativas parentais, depressão materna e o comportamento infantil.
Minha trajetória como psicóloga foi profundamente marcada pelo mestrado que realizei na Universidade de São Paulo (USP), no Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), na área de Psicologia em Saúde e Desenvolvimento. Sob a orientação da Dra. Sônia Regina Loureiro, dediquei-me a estudar, com método e sensibilidade, um tema que conversa diretamente com a clínica: a relação entre as famílias, a depressão materna e o desenvolvimento infantil.
Minha dissertação investigou as práticas educativas parentais de famílias nucleares intactas e o comportamento infantil de crianças que convivem com a depressão materna. Quis compreender como o modo de educar — o cuidado, os limites, a presença — se associa ao bem-estar emocional das crianças, especialmente quando a mãe enfrenta um quadro de depressão. É uma questão de saúde mental que, muitas vezes silenciosa, afeta profundamente o cotidiano de muitos lares.
A vivência da pesquisa foi, acima de tudo, uma experiência de escuta. Acompanhei 42 famílias — mães, pais e crianças entre 8 e 10 anos — em encontros individuais e cuidadosos. Apliquei instrumentos reconhecidos cientificamente, como o Inventário de Estilos Parentais, o Questionário de Capacidades e Dificuldades (SDQ) e as Matrizes Progressivas de Raven, sempre com o compromisso ético de respeitar cada história. Estar perto dessas famílias me ensinou tanto quanto os dados.
Teoricamente, ancorei o estudo na psicopatologia do desenvolvimento, que olha para os fatores de risco e de proteção ao longo da vida e para a resiliência diante das adversidades. Os resultados confirmaram algo que carrego até hoje: práticas educativas positivas, como a monitoria positiva e o vínculo afetivo, protegem; enquanto a sobrecarga emocional dos pais pode favorecer práticas negativas e dificuldades de comportamento. O envolvimento paterno também se mostrou essencial no cuidado com os filhos.
Essa pesquisa não ficou no papel: tornou-se um modo de cuidar. Hoje, ela sustenta o meu trabalho de orientação de pais, o atendimento de crianças e adolescentes e o olhar atento para a parentalidade e a família como um todo — sempre dentro da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), uma psicoterapia baseada em evidências. É a mesma seriedade científica do mestrado, agora a serviço de cada pessoa.
Acredito em uma psicologia clínica que une ciência e acolhimento. Como psicóloga em Jaboticabal, ofereço atendimento presencial e atendimento online para adolescentes, adultos e casais, em demandas como ansiedade, depressão e relações familiares. A pesquisa me lembra, todos os dias, de que por trás de cada sintoma há uma história — e que compreendê-la é o início do cuidado.
Ficha técnica
- Título: Práticas educativas parentais de famílias nucleares intactas e o comportamento de crianças que convivem com a depressão materna
- Instituição: Universidade de São Paulo (USP) — FFCLRP, Ribeirão Preto
- Programa: Pós-Graduação em Psicologia — área Psicologia em Saúde e Desenvolvimento
- Orientação: Dra. Sônia Regina Loureiro
- Ano: 2017
- Acesso público: Repositório de Teses e Dissertações da USP
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