Publicado em 06/03/2026
Poucas experiências assustam tanto quanto um ataque de pânico: o coração acelera, falta o ar, o corpo treme e surge a sensação de que algo catastrófico está prestes a acontecer. A boa notícia é que o pânico é compreensível — e tratável.
O que é um ataque de pânico
É um pico súbito e intenso de medo, acompanhado de sintomas físicos (palpitação, tontura, formigamento, sensação de irrealidade). Dura alguns minutos, embora pareça muito mais. Não é perigoso em si, mas o medo que provoca é real e exaustivo.
O ciclo do pânico
O modelo cognitivo do pânico, descrito por David M. Clark e Aaron Beck, explica o fenômeno como uma interpretação catastrófica de sensações corporais normais. Um coração acelerado é lido como “vou ter um infarto”; uma tontura, como “vou desmaiar ou enlouquecer”. Essa interpretação aumenta o medo, que intensifica os sintomas — e o ciclo se retroalimenta.
Com o tempo, a pessoa passa a evitar lugares e situações associados às crises. O alívio é imediato, mas ensina ao cérebro que aquilo era mesmo perigoso, mantendo o transtorno.
Como a TCC trata
- Reestruturação cognitiva: reavaliar as interpretações catastróficas das sensações.
- Exposição interoceptiva: provocar, de forma controlada e segura, as sensações temidas — para que o corpo aprenda que elas não são perigosas.
- Respiração e atenção plena: recursos para atravessar a crise sem alimentá-la.
- Redução gradual da evitação: retomar a vida que o pânico havia encolhido.
Importante: sintomas físicos merecem uma avaliação médica para descartar outras causas. Confirmado o quadro de pânico, a TCC é recomendada por diretrizes internacionais como tratamento de primeira linha.
Referências
- Clark, D. M. (1986). A cognitive approach to panic. Behaviour Research and Therapy.
- Beck, A. T., & Clark, D. A. Terapia Cognitiva para os Transtornos de Ansiedade.
- National Institute for Health and Care Excellence (NICE) — transtorno de pânico.